Um pentateuco diferente


Roni Ricardo Osorio Maia

Relembramos que a palavra pentateuco é de origem grega e quer dizer “cinco partes”. Em termos religiosos, o termo foi usado para englobar os cinco livros do Antigo Testamento: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. No Espiritismo, serviu para representar as cinco obras kardequianas: O Livro dos Espíritos (1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868).

Propomos, neste artigo, diferenciar a aplicação da palavra, empregando-a para valorizar cinco expoentes e dedicados trabalhadores da difusão espírita:

Allan Kardec (1804 – 1869): É a nossa base. Em missão na Terra, o mensageiro da Luz e da Verdade, nascido em Lyon, França, homem sério, observador, acadêmico nas ciências, acompanhou os fenômenos espíritas em Paris. Se permitiu intermediar junto a uma equipe de médiuns, nos legando a Codificação Espírita. Além dos artigos da Revista Espírita, após sua desencarnação, foram lançados, pela Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, textos que deram origem ao livro Obras Póstumas (1890).

Léon Denis (1846 – 1927): “O Apóstolo do Espiritismo”. Admirador das ciências e filosofia, autodidata, sem formação acadêmica, seu primeiro livro, Depois da Morte, é um marco na História do Espiritismo. Exímio escritor, foi palestrante e médium dedicado à sua tarefa.

Cairbar Schutel (1868 – 1938): “O Bandeirante do Espiritismo”. Ao se mudar para Matão (SP) e enfrentar o poder clerical daquele tempo, não se fez desmotivado, pelo contrário, provou a verdade e exemplificou na vivência caritativa e mediúnica. Fundou o jornal O Clarim, Revista Internacional do Espiritismo esua respectiva gráfica e editora. Cairbar disseminou as obras kardequianas vindas da Europa, contribuindo bastante para a disseminação do Espiritismo no Brasil. Destacamos de sua produção literária o memorável livro Parábolas e Ensinos de Jesus (Casa Editora, O Clarim).

Yvonne do Amaral Pereira (1900 – 1984): Natural de Rio das Flores (RJ), a estimada tarefeira de todas as horas deixou-nos uma obra mediúnica primorosa. Como destaque, o notável livro Memórias de um suicida (FEB). Outras obras importantes de sua autoria são a Coleção Yvonne Pereira (pelos espíritos Charles, Bezerra de Menezes, Leon Tolstoi, Camilo Castelo Branco, Léon Denis), que possuem apuro e esmero doutrinários irretocáveis. Yvonne também tem textos de cunho autoral, como Recordações da Mediunidade e Devassando o Invisível (FEB), e diversos artigos publicados na revista Reformador (FEB). Desse acervo, originou-se o livro À Luz do Consolador (FEB).


Francisco Cândido Xavier (1910 – 2002): Dedicado médium de Pedro Leopoldo (MG), desde pequeno órfão, criado pela madrinha, com mediunidade ostensiva, foi hostilizado e mal interpretado. Venceu os impropérios graças à proteção de seu mentor Emmanuel e de sua mãe desencarnada Maria João de Deus. De seu lavradio ficaram mais de 400 livros, sendo o primeiro, Parnaso de além-túmulo (FEB), composto de poesias mediúnicas. Na sequência, surgiram os livros históricos e de lições (Emmanuel), contos, crônicas e notícias do além (Irmão X/Humberto de Campos), a vida no mundo espiritual (Coleção André Luiz), entre outros.

Este Pentateuco torna-se diferente, pois os cinco nomes citados nos servem de inspiração na lisura, no zelo e na dedicação àquilo que lhes fora confiado, que foi propagar o conhecimento para todos. Isso ajudou a arregimentar a sua expansão aos necessitados de esclarecimento e consolação. Vale lembrar que, com essa lista, não estamos desprezando outros egrégios obreiros, escritores e divulgadores de outros tempos e dos dias atuais.

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